"Ora bem. É dia 14 de Junho de 2010 e são 1h08. Como mais uma vez não consigo dormir vou escrever a nossa história. Talvez ta dê a ler, não sei. Duvido que a leias mas não custa nada tentar.
Bem, como já referi são 1h08. É tarde e mesmo assim não consigo dormir. Tenho exame de biologia daqui a três dias e ainda não toquei nos livros, melhor, nas 700 páginas que devo estudar. Podia estar a lê-las agora, mas não. Apetece-me ficar a fazer o que faço todas as noites: pensar em ti. Porque não é só hoje que não consigo adormecer. É todas as noites o mesmo. E porquê? Tu sabes a resposta.
A nossa história, hein?! Vamos lá então.
15 de Março de 2009. Domingo de Taça Coca Cola em Viseu. Primeira mensagem, do Daniel para a Jéssica. Tudo começou aqui. Bem, precisamos de recuar um bocadinho atrás para perceber a origem desta mensagem.
Na semana que antecedeu a Taça Coca Cola as equipas que iriam representar a escola neste torneio andavam muito atarefadas a tentar inscrever-se. Sim, somos daqueles que deixamos tudo para a última da hora, sabes bem. Um dos impressos a preencher era um que incluía os nomes dos jogadores numa tabela, referindo qual seria o número que iriam utilizar durante o torneio. Tu, como me deste a entender logo de inicio, apreciavas o número 10 e a mística em torno dele. Eu, por razoes mais sentimentais, gostava do 8. Passou se que na tua equipa não eras o único a querer vestir a camisola do organizador de jogo e, como tal, tu ou o teu companheiro teriam de ceder e escolher outro número. E foi assim que nos conhecemos. Um amigo meu (acho que era o Dani, mas já não tenho a certeza) encontrava-se a preencher os papéis à minha beira, quando apareceste tu. Gostei logo de ti. Cabelo ondulado, olhar perdido de menino inocente, sorriso bonito e sincero. Não é que nunca te tivesse visto, simplesmente nunca tinha reparado a sério em ti. Estou a visualizar toda a cena agora, lembro me de todos os pormenores e até sei qual era a mesa onde estávamos sentados. Quando o Dani te perguntou qual querias que fosse o teu número e tu respondeste “10”, ele disse que não dava. E eu interferi sugerindo “Fica com o 8, é o meu número.” E foi este o nosso começo.
Como houve muitas equipas nesta edição da Taça Coca Cola o torneio teve de ser dividido em dois dias, sendo que a tua equipa competiu no sábado e a minha no domingo. Domingo, então, depois de um dia intenso e animado, recebi uma mensagem de um número desconhecido com um simples “Olá”. Começamos então a conversar, sobre a prova, inicialmente, e depois sobre nós. Contaste-me que a tua equipa tinha ganho um jogo e perdido outro, e que aquele que tinham ganho tinha sido por 1.0. E quem tinha sido o autor do golo? Tu, sim. Eu respondi te “Foi do numero, era uma grande responsabilidade.” E tu: “Eu sei, e o golo foi para ti.”. E se estás a achar que isto é tudo treta, não é. Lembro me desta conversa porque foi a primeira, e porque senti que eras especial. (E fora esta conversa, lembro me de 90 por cento das nossas outras conversas. Memória fotográfica.)
A partir deste dia, e no mês que se seguiu, falámos praticamente todos os dias. Falávamos de tudo. De ti, de mim, de nós, do futebol e do ping pong (nesta altura jogávamos ping pong um contra o outro, e a nossa primeira conversa no hi5 foi acerca disso), das tuas conquistas e dos meus objectivos. Falávamos de tudo virtualmente, porque pessoalmente parecia que nem nos conhecíamos (talvez porque tinhas vergonha de me conheceres, talvez porque tinhas vergonha dos outros saberem que me conhecias (…)).
Entretanto chegaram as férias da Páscoa. Na primeira semana, eu fui para a Serra da Estrela, tudo por causa de ter escrito um textito qualquer para os Jovens Repórteres para o Ambiente e eles terem achado que eu era uma das vencedoras que merecia uma semana a relatar acontecimentos ambientais e a conviver com pessoas de todos os cantos do país. Ao inicio pensei que aquilo seria uma semana perdida, uma autentica seca. Mas não, essa semana revelou se uma das melhores da minha curta existência. Éramos 16, entre os 15 e os 18 anos, super diferentes mas super divertidos. Foi fantástico o convívio, as tardes na conversa, as quase directas todas as noites, a discoteca de Gouveia, a diversão, a diversão, a diversão. Contudo houve também trabalho, e confesso que isso não foi um dos pontos fracos da nossa aventura, antes pelo contrário. Os trabalhos, a escrita das entrevistas, as foto reportagens, eram feitas no computador, como é óbvio, pelo que era nessa altura que nós mais falávamos, via MSN. Claro que mantinha contacto contigo durante o dia já que tu nessa altura fazias questão de me enviar aquilo que eu mais gosto de receber: uma mensagem de bom dia. Mas eu andava ocupada a fazer novas amizades e deixei de falar tanto contigo. Foi aqui que eu me comecei a apaixonar por ti. A ausência da tua imagem, do teu sorriso, das tuas palavras, provocou em mim um efeito, a saudade, que só ocorre numa situação: quando eu gosto de alguém. E foi mesmo isto que eu te disse. Não por estas palavras. Disse te apenas “Acho que estou a começar a gostar de ti.”, sim, exactamente assim. E se quiseres até te digo qual foi o dia. 2 de Abril, uma quinta feira. Nesse dia começaste a falar me mal, a ignorar me, a responder a tudo “ok” ou “ta bem”, e no dia a seguir não mandaste mensagem. Dia 4, sábado, era o meu último dia na Serra da Estrela, pelo que a noite anterior era de festa. Bebi, dancei (muito, mesmo muito), atirei me a outros. Tudo para saíres da minha cabeça. E por uma noite, ou pelo menos durante umas horas, o meu objectivo foi cumprido.
Sim, agora que vês o tempo deves estar a pensar: “Fds, esta gaja apaixona-se rápido.”. Se calhar tens razão, mas como muito bem pensas, apaixono me rápido, não começo a amar tão rápido assim. Demorei mais algumas semanas a começar a amar-te, coisa que só te disse bastante tempo depois. E sim, pelos vistos não foi só uma paixoneta passageira. Se fosse não estava para aqui a escrever. Foi uma paixoneta, que se transformou em amor, e agora em tortura. Sim, tortura, porque isto não tem outro nome.
Vou continuar.
Depois de te ter passado o choque inicial, voltaste a falar comigo. Não como dantes, mas pelo menos falavas. Afastaste-te muito, sabes disso tão bem quanto eu. Tentei então mostrar-te de todas as maneiras que encontrei que o meu sentimento era verdadeiro e que vivia para ele. Foi em vão. Tantas vezes te perguntei o que sentias por mim e nessa altura a tua resposta era sempre a mesma “Não sei.”. E eu perguntava sempre o mesmo “Não é mais do que amizade pois não?”. E a tua resposta era igual de todas as vezes que te fazia esta pergunta “Acho que é mais, mas não tenho a certeza.”. Lembro me perfeitamente de me chatear um sem número de vezes com a Marta por ela falar contigo sobre mim, sem eu querer que ninguém se metesse na minha vida. Uma vez ela perguntou te “Tu gostas dela?” e tu respondeste “Não posso gostar de alguém que nem me fala quando me vê”. Pois bem, se fosse eu a ter tido esta conversa contigo a minha resposta seria a mesma que agora te dava caso me dissesses isso: “Fode-te mais os teus joguinhos, porque és tu quem não me dá oportunidade de chegar até ti, és tu quem ignora todas as súplicas que eu faço para termos uma conversa. És tu e só tu que nunca quis que isto resultasse, não eu.”
Começaram, nesta fase, as nossas discussões. Ao inicio eram pequenas e ficava sempre tudo bem. Mais tarde o discurso começou a ser mais agressivo e a deixar marcas. Sabes, foste o único rapaz por quem senti ciúmes. Muitos ciúmes. Custava me ver te com a (…), todos queridos e tal. Custava me entrar no hi5 dela e ver comentários teus, em letras grandes a dizer “ÉS TÃO LINDA, AMO TE”, tu que nunca me disseste “gosto de ti”.
Mas as nossas discussões não eram só por causa disto. Aos poucos foste te apercebendo que eu gostava mesmo de ti, que isto não era apenas uma panca. E começaste a usar isso em teu proveito. Tornaste te o interesseiro que eu nunca tinha visto, o rapaz aproveitador, sem escrúpulos, que eu nunca imaginei que pudesses ser. E eu, burra, deixei me manipular. Fazia tudo por ti. Todos os trabalhos, tudo. Bastava tu pedires e eu, como se fosse uma marioneta, cedia aos teus caprichos. BURRA. Queres que dê só alguns exemplos? Ora bem: texto do teu ultimo teste de francês (e eu, que já nem me lembrava do que era francês, fui rever todos os conteúdos e formas verbais à internet para não dar erros), currículo em francês, ensaio de filosofia (não fiz ensaio para mim mas mais tarde vim a fazê-lo para ti), troca de versões no teste intermédio de física e química do ano passado onde quase ias ficando com o teste anulado, ficha de leitura de português, etc, etc, etc. Fui mesmo idiota.
Recordo um episódio onde me senti bastante parva. Fui dormir a casa da Margarida. Era uma festa qualquer em Rio de Moinhos e pedi te para vires ter comigo. Tu disseste que sim, claro que ias. Depois arranjaste uma carrada de desculpas do género “Não posso ir porque a minha irmã não vai” e blá blá. No dia seguinte pedi te para vires ter comigo, irmos dar uma volta e assim. Nem respondeste.
Medas. Fingiste que nem me conhecias, é a única coisa que tenho a assinalar. Isso e o facto e te ter mandado uma mensagem para falarmos e tu teres lido a mensagem à minha frente e nem sequer teres dito uma palavra. Adiante.
Chegámos ao Verão. Foi aqui que aconteceram as nossas maiores discussões. Lembro me de uma a 13 de Julho, estava eu em Vieira de Leiria. Lembro me de outra a 21 de Agosto. Sim, memorizei datas, nem sei como, nem porquê. Lembro me da montanha de mensagens que te enviei e das quais não obtive resposta. Lembro me tim tim por tim tim de algumas dessas mensagens (e aqui não é só a memoria fotográfica a trabalhar mas também o facto de ter lido essas mensagens, no mínimo, um milhão de vezes). Lembro me de chorar no ombro de outro numa noite em que eu e tu tínhamos tido uma discussão mesmo feia, lembro me de estar com um bronze lindíssimo e tu não me teres sequer chegado a ver, lembro me das vezes que pensei em pedir transferência para outra escola para não ter mais de olhar para a tua cara todos os dias (sim, sou fraca), lembro me de tanta coisa. Lembro me de ter saudades, isso é do que mais me lembro.
Sinceramente não tenho grandes recordações do nosso primeiro período de aulas deste ano. Não me lembro de falarmos, de discutirmos muito nem pouco. Lembro me só de me teres pedido uma ficha de leitura a português e nos termos tratado mal. Sei que o Alexandre me ia fazendo chegar algumas novidades sobre ti. Foi nesta altura que descobri quem te tinha tentado comer (não sei se não comeu mas pronto), e foi também aqui que soube que a lindinha gostava de ti (estou a tentar não referir nomes $:). Quando cá vieram os checos e as polacas houve uma noite cultural, tipo um sarau. Sei que vos vi juntos nessa noite no Gota, a ti e à outra. Perguntei te se tinham curtido e tu disseste me que não. Mais tarde disseste me que sim. Há pouco tempo disseste que não outra vez. Tu lá sabes.
Duas semanas antes das férias de Natal decidi afastar-me completamente de ti. Deixei de mandar mensagens, de falar-te no msn, apaguei o teu hi5 para não ter de ver aqueles comentários que eu tanto odiava; em resumo, caguei para ti, totalmente. Sabes, foram duas semanas difíceis, mas de paz. Nas férias foste tu quem começou a meter conversa comigo, pelo msn. Ias mandando um “Olá” inocente de vez em quando e eras tu quem puxava a conversa. Fiz te conhecer a minha indiferença, deixei que fosses tu a decidir se ficávamos como estávamos ou se tentávamos a amizade. Escolheste a amizade (aparentemente).
Disseste me vezes sem conta que querias ser meu amigo. Eu respondi te vezes sem conta que eu queria mais do que isso e que portanto ficávamos como estávamos, ou seja, nem amigos nem mais do que isso.
Ao longo do segundo período a tua atitude foi mudando. Sentiste que já me tinhas outra vez e, como tal, afastaste-te. Sim, meu bem, foi só uma confirmação do que eu já sabia: queres todas as gajas do mundo aos teus pés porque, para ti, cada uma simboliza apenas uma conquista e nada mais. O teu interesseirismo voltou à acção. Como já disse, depois de me sentires por perto outra vez afastaste-te. Um dia mandaste me uma mensagem a perguntar se eu te podia arranjar o resumo de um livro para português. Eu mandei te foder. No dia a seguir vejo a Paty a vir ao teu encontro com um livro e o seu resumo na mão. Adorei esse teu gesto. Foi do tipo: “Se uma não dá, arranjo-me com a outra.”
Passaram as férias da Páscoa e nós mal falamos. Esperei por ti, por uma mensagem tua e ela não veio. Péssimas férias.
Chegou então o terceiro período e com ele a visita de estudo. Acho que não há muito a dizer dessa visita. Basicamente todos os teus amigos se deram bem comigo, me falaram, se sentaram à minha beira. E tu nem me dirigiste a palavra, ignoraste completamente que eu estava lá. Mas tudo bem, é a tua vida. Mais tarde admitiste me que tinha sido assim porque há uma certa estranheza em falares comigo por causa de eu ter gostado de ti. Tudo bem, se não enfrentas isso, eu não posso fazer nada.
Pmate. Acho que foi aqui que eu perdi a vergonha de falar contigo. Como tu bem sabes, eu, a Cláudia, a Tânia e a Maria João (na verdade mais eu e a Maria João) viemos a viagem toda de Aveiro para o Sátão a analisar te e a apreciar-te. E sim meu bem, és dos rapazes mais bem feitinhos que a nossa escola tem o prazer de ter. Durante a viagem eu viro me para a Maria João e digo “Vou lhe dizer o que nós estamos para aqui a falar.”. E ela “Não és capaz.”. Virei me então para ti e disse “Olha Daniel, nós estivemos te aqui a apreciar e achamos que tu és muito giro, que tens um rabo fantástico e uma barriga que faz delirar. Não fiques convencido e já te podes virar para a frente.”. Tu respondeste “O quê? Não percebi nada.”. E eu lá repeti. Chegámos à escola e tu foste te sentar no palco, com uma cara mal humorada. Eu sentei me à tua beira e disse “Ri-te porque tens um sorriso bonito.”. Acho que nesse dia pensaste que eu tinha perdido o juízo por estar a falar tão abertamente contigo. Mas pronto.
No dia seguinte tive teste a matemática. Trouxe quase todas as perguntas numa folha de rascunho e dei-tas. Estavas de calções da Taça Coca-Cola, recordo-me. E eu estava com uma blusa meia transparente, com um padrão leopardo, preta e rosa. (Do que eu me lembro!) Tu perguntaste “Vais já para casa?”. E eu respondi “Posso ficar.”. Fui lanchar contigo e com o Bruno e resolvi te o teste quase todo. Agradeceste me e depois voltaste a perguntar “Vais para casa?”, e eu “Sim”. Nem um obrigado disseste, nem pediste para ficar mais um bocado. A tua única intenção era que eu te ajudasse no teste e depois de teres conseguido isso nada mais importou. É sempre a mesma coisa.
Quando soubeste que eu andava com o (…) afastaste te muito de mim, digas o que dizeres. Tiveste mesmo muito tempo sem dizeres nada, sem me responderes às minhas tentativas de meter conversa. Eu e tu tínhamos entretanto começado a falar pessoalmente, a passar algum tempo numa boa. De um momento para o outro perdemos isso. Lembro me de uma vez estares a jogar ao “sobe e desce” com algum pessoal da minha turma e a Anne me pedir para jogar um jogo na vez dela. Era eu a dar as cartas. Estava toda a gente a rir-se para mim, super simpática, a falar comigo. Quando eu te perguntei quantas cartas querias, tu baixaste o olhar para a mesa, e fizeste me o sinal com a mão. Foi aí que eu vi que não eram macaquinhos na minha cabeça o facto de te teres afastado. Era a realidade.
Acredites ou não, nunca andei com ele para te meter ciúmes. Eu gostava dele, e gosto dele. Mas nós nascemos para ser amigos, e não namorados. Eu gostava dele, mas amava te a ti. No inicio arrisquei, pensei que ao estar com ele o sentimento podia evoluir, porque ele, ao contrário de ti, fazia me feliz. Mas percebi que continuava agarrada a ti, como se fosses uma droga. Sabes quando notei isso? Quando te perguntei “Tens ciúmes quando me vês com ele?” e tu respondeste “Não.”.
Entretanto começaste a falar comigo outra vez, quando não estavas com os teus amigos, porque nessas alturas fingias que eu era transparente, como sempre. Tens vergonha de mim, é isso que eu sinto, é isso que eu sei. Tudo bem.
Há pouco tempo (uma mês, nem tanto) disseste me pela primeira vez “Gosto de ti.”. Fiquei feliz. Fiquei ainda mais feliz quando te perguntei se podíamos falar, só os dois, e tu disseste “Ya.”. Pensei que estavas a brincar mas apercebi me do contrário quando eu ia a entrar na Crissónia e tu a sair e me disseste “Quando quiseres falar diz-me, tá?”. Como estive a ensaiar uma coreografia de dança para apresentar na última aula de educação física, disse te que falávamos no dia seguinte. Nessa noite mandei te uma mensagem a dizer qualquer coisa parecida com isto “Olá meu bem. Hoje foste fofinho por teres aceitado falar comigo. Falamos amanhã se não te importares. Depois se quiseres que eu deixe de te falar é só dizeres, eu não me importo. Vamos encarar esta conversa como uma espécie de despedida. Beijinho, boa noite.” E tu respondeste, exactamente por estas palavras “O que, uma despedida?! Então não falo contigo. Não quero que te afastes.” Esquece, colei ao ler esta mensagem. Pensei que estavas a ser sincero. Como pudeste ser tão mentiroso, como, como? Não compreendo. Depois estivemos a falar e pediste me indirectamente ajuda para o teste de português, e eu ofereci me para te ajudar porque acreditei que desta vez não te estavas a aproximar de mim só por interesse. Antes do teste deste-me as perguntas e eu fiz de tudo para te conseguir responder a elas. De tudo mesmo. Mais tarde, nesse mesmo dia, perguntei-te se poderíamos falar então, depois das 5. Resposta?! Bem que podia esperar por ela. Mais uma vez falhaste. Esquece, confiei tanto em ti, pensei que desta vez estavas a ser verdadeiro mas pelos vistos o que tu querias era apenas aproveitar te de mim, como fazes sempre. Foi a maior desilusão desde que te conheço.
Enviei-te pois mensagens a acabar com tudo o que nem sequer tinha começado, com esta amizade de farsa, com esta merda que eu insisto para que resulte mas que no fundo nunca vai dar em nada, porque sem a tua força de vontade eu não posso fazer milagres.
Sabes, são quase 15 meses. Sabes o que é que eu fiz neste tempo? Lutei por nós. Sabes o que é que tu fizeste? Desististe de nós. É essa a razão que nos leva a estar como estamos, de costas voltadas.
Contei te aqui apenas alguns dos episódios que me lembro. Há infinitos, infinitos! Era capaz de escrever mil e uma páginas com eles. Mas nem estas vais ler, de que vale acrescentar mais? Aliás, se leres isto será um recorde, porque duvido que algum livro que tenhas lido tenha tantas páginas como isto aqui, “a nossa história”.
A Anne e a Catarina dizem que o que mais admiram em mim é o facto de eu conseguir ser sempre muito reservada. Não espalho a minha vida por aí, não confio em quase ninguém, não peço ajuda nem conselhos e sou capaz de estar mal e mesmo assim manter uma aparente felicidade no rosto. Mas também me dizem que isso nem sempre é bom porque guardo tudo para mim e às vezes partilhar e falar sobre as coisas é benéfico. Isto foi basicamente para te dizer que, como deves imaginar, não ando para aí a falar mal de ti. Nunca o fiz, nem vou fazer.
Se leres esta parte significa que leste isto tudo, o que me deixaria muito feliz. Sei que já disse isto um sem número de vezes mas desta vez estou mesmo a falar a sério, o que tu saberás se me conheceres minimamente. Vou me afastar porque tu cagas para mim e não me queres. Vou me afastar porque tu nem sabes que eu existo. Vou me afastar porque estou cansada, tão cansada que nem sei como é que ainda aguento levantar me todos os dias da cama onde nem sequer chego a dormir. Sei agora que não me vale de nada falar contigo, não saímos do mesmo, não somos nada! Mas tu, meu bem, tem calma. Vais me ver mais dois dias, aquando dos exames. Para o ano não vais ter de conviver comigo, de aturar as minhas paranóias, de me ver, de nada! Vais te ver livre de mim e isso já merecia uma festa. Esta foi a única forma que eu achei de me despedir de ti, já que não me dás dez minutos para falar contigo. Porque era apenas isso o que eu pedia. E isso não é nada, tendo em conta o que tu tens de mim, o meu coração.
Amo-te com tudo, amo-te do unico jeito que sei. Pode não ser o melhor, mas é o mais verdadeiro. Mas tu não, como já fizeste questão de me dizer mil e uma vezes. Custava assim tanto dizer "GOSTO DE TI E TU ÉS LINDA" ? Custava teres dito? Agora nunca vais ter oportunidade de o dizer, mesmo que seja mentira.
Amo-te com tudo, amo-te do unico jeito que sei. Pode não ser o melhor, mas é o mais verdadeiro. Mas tu não, como já fizeste questão de me dizer mil e uma vezes. Custava assim tanto dizer "GOSTO DE TI E TU ÉS LINDA" ? Custava teres dito? Agora nunca vais ter oportunidade de o dizer, mesmo que seja mentira.
São 5h12. Estou cansada e desprotegida. Eras um dos meus anjos e nunca estiveste comigo para me protegeres. E não vais estar nunca mais. Acabou."
Resolvi só postar hoje porque é dia 15 de Junho e são 15 meses desde que falamos (falávamos). Ontem resolvi na minha cabeça que te ia afastar e já estou cheia de saudades. Mas 15 meses? Foi tempo a mais.
Acabou, mas amo-te do mesmo jeito.
Sempre.
Promete me que não há mais nós. Agora és tu e eu, separados.

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